Informativo da UEM

ISSN: 2238-5002 - Informativo 1118

ANO XXIII - Nº 1118 - 17 de dezembro de 2014

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O processo inflacionário estrutural no Brasil Imprimir E-mail
O P I N I Ã O

 


* José Adalberto Mourão Dantas

A inflação no Brasil pode voltar ? O  pensamento econômico conservador tenta explicar os mecanismos inflacionários e o seu combate pela vertente exclusiva da política de juros. Os economistas seguidores de tal pensamento responderão à pergunta anterior  afirmativamente. Porém, cometem um grande equívoco. As políticas do Banco Central do Brasil, no tocante ao combate a inflação, na sua essência, restringe-se à manipulação das taxas de juros e à restrições ao crédito, dificultando o acesso a este e diminuindo os prazos de financiamento e empréstimos. Espera-se como resultado uma diminuição da demanda e, como conseqüência, a queda de preço dos produtos e a retração da inflação. Assim, os economistas conservadores não levam em conta que a nossa inflação tem um forte componente estrutural. 

O atual crescimento econômico, em torno de 6% no último semestre, tem dado visibilidade a este componente estrutural. Se não vejamos: a política econômica dos últimos anos incorporou um grande contingente da população ao mercado consumidor.

Se não houver uma reestruturação na infra-estrutura produtiva, os custos de produção e de comercialização farão a
inflação voltar

Houve uma pressão por alimentos. A agricultura nacional tem demonstrado dificuldade em aumentar a oferta por motivos estruturais: a produtividade média do setor ainda é baixa, há falta de mão-de-obra especializada, os insumos produzidos pelos grupos oligopolizados são caros, a oferta de máquinas e equipamentos nacionais é pouca e cara, o crédito agrícola, apesar de ter melhorado, é insuficiente. Some-se a estes fatores a má distribuição de terras. Além do mais, a logística brasileira tem encarecido os custos dos alimentos. As nossas estradas estão em um estado caótico, os aeroportos inviáveis, o transporte marítimo de cabotagem caríssimo. 

Pois bem, se não houver uma reestruturação na infra-estrutura produtiva os custos de produção e de comercialização farão a inflação voltar. E tal fenômeno está na pauta de discussão do governo e dos empresários. Some-se a estes fatores a possibilidade de mudança na taxa de câmbio, o que já está ocorrendo, desvalorizando o real frente ao dólar e ao euro. Se continuar a tendência de alta das moedas americana e européia a demanda externa por commoditie pode pressionar para cima o preço dos produtos agrícolas. Por outro lado, o mesmo câmbio poderá dificultar a importação, devido à elevação dos preços médios internacionais de máquinas e equipamentos modernos que alavancam a produtividade industrial e baixam custos.

Ao se confirmar tal fenômeno, teremos um forte componente inflacionário de volta. E a conservadora política de aumento nas taxas de juros não irá deter a inflação. Urge medidas de caráter estruturais.

Os economistas conservadores desconhecessem o componente estrutural da inflação por falta de visão a médio e longo prazo, posto que a política de juros é puramente conjuntural não leva em conta os movimentos históricos de uma sociedade.
 

 

* Economista
Doutor em História Econômica pela USP
Professor da UEM entre 1981 - 2003
Consultor de Educação Corporativa

 

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